Seguro Multirriscos Habitação em Portugal: Guia Definitivo para Escolher em 2026
“A maioria dos portugueses com crédito habitação tem o seguro multirriscos que o banco escolheu — e paga entre 40% a 60% a mais do que devia. A lei garante o direito de escolher livremente. Este guia mostra exactamente o que cobre, quanto custa e como poupar sem abdicar de cobertura.”
Introdução: o seguro que o banco escolheu por si — e porque isso lhe custa mais do que deveria
Em Portugal, quase todos os proprietários com crédito habitação têm um seguro multirriscos habitação. O problema é que a maioria nunca o escolheu verdadeiramente — foi o banco que apresentou, sugeriu e, em muitos casos, pré-preencheu a proposta da sua seguradora parceira durante o processo de aprovação do crédito. O cliente, focado na aprovação e no spread, assinou sem questionar. E passou a pagar, ano após ano, um prémio que na maioria dos casos é 40% a 60% superior ao que pagaria num mercado independente, por uma cobertura equivalente.
Este fenómeno é idêntico ao que acontece com o seguro de vida associado ao crédito — tema que abordámos em detalhe no artigo sobre seguro de vida mais barato que o banco. O modelo de negócio das bancasseguradoras aplica-se com a mesma lógica ao multirriscos: o banco distribui o produto da seguradora parceira, cobra comissão de distribuição elevada, e o cliente nunca compara porque a decisão é tomada numa fase de maior pressão e menor atenção do processo de crédito.
O seguro multirriscos habitação é, para a maioria das famílias portuguesas, um dos maiores custos anuais de habitação que mais raramente é revisto. Um casal com crédito habitação paga tipicamente entre €300 e €900/ano neste seguro — e nunca verifica se o valor é justo, se as coberturas são adequadas ou se existe alternativa mais competitiva no mercado. Ao longo de 30 anos de crédito, esta inércia pode representar um custo excessivo acumulado de €3.000 a €9.000.
Este guia foi escrito para eliminar essa inércia com informação concreta. Nas próximas secções encontrará: as coberturas reais de um multirriscos habitação (o que está incluído e o que não está), os tipos de apólice e quando precisa de cada um, tabelas comparativas com valores reais de mercado 2026, simulações numéricas para os perfis mais comuns em Portugal, os seus direitos legais sobre a escolha da seguradora, como funciona um sinistro na prática, os erros mais comuns e um caso real com poupança documentada. Comecemos pelo essencial: o que cobre exactamente este seguro.
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O que cobre o seguro multirriscos habitação — coberturas base, complementares e exclusões que ninguém explica
O nome "multirriscos" indica, correctamente, que este seguro cobre múltiplos riscos num único contrato. Mas a amplitude real das coberturas varia enormemente entre apólices — e é exactamente esta variação que torna a comparação difícil e a escolha mal informada tão comum. Para perceber o que está realmente protegido, é necessário distinguir três camadas: coberturas base, coberturas complementares e exclusões.
Coberturas base — presentes em praticamente todos os planos
A cobertura mais fundamental e a única exigida pelos bancos para crédito habitação. Cobre danos causados por incêndio (incluindo incêndio florestal que alastra ao imóvel), queda de raio e explosões. Inclui habitualmente os custos de demolição e remoção de escombros, que podem ser tão elevados quanto a reconstrução em si. Para imóveis em zonas rurais ou de interface urbano-florestal (particularmente relevante em Portugal), esta cobertura é crítica e o capital seguro deve reflectir o custo real de reconstrução.
Cobre danos causados por ruptura ou entupimento de canalizações, infiltrações de água da chuva, transbordo de equipamentos (máquinas de lavar, esquentadores), e inundação por águas pluviais. Esta é a cobertura mais accionada no mercado português — os sinistros por água representam mais de 40% das participações anuais. Atenção: a inundação por cheias (subida de nível de rio ou mar) é frequentemente uma cobertura separada ou excluída nas apólices de entrada.
Cobre danos causados por vendaval, tempestade, granizo e neve — incluindo danos em telhados, janelas, fachadas e conteúdo exposto. Em Portugal, particularmente importante para imóveis no litoral atlântico (ventos fortes) e zonas de altitude (neve e gelo). O capital seguro para esta cobertura deve incluir o custo de reparação de telhados e caixilharia, que são as partes mais vulneráveis e mais caras de reparar.
Cobre danos causados a terceiros originados no imóvel — por exemplo, uma telha que cai e danifica o automóvel do vizinho, uma fuga de água que danifica o apartamento do andar de baixo, ou um visitante que se magoa nas instalações. A responsabilidade civil é uma cobertura frequentemente subestimada mas com sinistros de valor elevado — danos no apartamento do vizinho por fuga de água podem atingir €15.000-50.000.
Coberturas complementares — opcionais mas frequentemente essenciais
Sismo e terremoto: Portugal tem um dos maiores riscos sísmicos da Europa. A cobertura de sismo não é standard — é habitualmente uma cobertura opcional com prémio adicional de €15-45/ano. Para imóveis em Lisboa, Algarve ou Setúbal, esta cobertura é altamente recomendável e o custo adicional é irrisório face ao risco real. Roubo e furto: cobre o furto de objectos de valor do interior do imóvel (mediante arrombamento ou escalamento) e, em algumas apólices, furto no exterior (arrecadação, garagem). Danos eléctricos: cobre electrodomésticos e equipamentos danificados por variações de tensão, curto-circuito ou queda de raio na rede eléctrica. Recheio: muitas apólices separam a cobertura de edifício e a de recheio — confirme se a sua apólice inclui ambas ou apenas o edifício.
Exclusões universais
Situações que nenhuma apólice standard cobre: danos causados intencionalmente pelo segurado ou por pessoas do mesmo agregado; deterioração gradual (desgaste normal do imóvel, humidade crónica sem evento súbito, pragas de insectos); obras de construção civil sem licença (danos em obras não autorizadas não são cobertos); guerra, terrorismo e conflitos armados; e danos nucleares. Para imóveis em zonas de maior risco (zonas de inundação reconhecidas, zonas de interface florestal de alto risco), algumas coberturas podem ser excluídas ou ter franquias mais elevadas — verifique sempre as condições específicas para a localização do imóvel.
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Tipos de apólice: edifício, recheio e combinado — quando precisa de cada um e o que cada um cobre
A primeira decisão ao contratar um seguro multirriscos habitação é perceber se precisa de seguro de edifício, seguro de recheio, ou ambos combinados. Esta distinção é fundamental — e frequentemente mal compreendida — porque define exactamente o que está protegido em caso de sinistro.
Seguro de edifício cobre a estrutura física do imóvel: paredes, tectos, pavimentos, escadas, instalações eléctricas e de canalização fixas, portas, janelas e fachada. Em termos práticos, cobre tudo o que ficaria no imóvel se o arrendasse vazio. O capital seguro do edifício deve corresponder ao custo de reconstrução — não ao valor de mercado do imóvel. Um apartamento T3 em Lisboa pode valer €350.000 no mercado mas custar €180.000 a reconstruir — o capital seguro deve ser €180.000, não €350.000. Segurar pelo valor de mercado resulta em sobreprémio desnecessário; segurar por valor inferior ao custo de reconstrução resulta em sub-seguro (a seguradora paga apenas proporcionalmente).
Seguro de recheio cobre o conteúdo do imóvel: mobiliário, electrodomésticos, equipamentos audiovisuais e informáticos, vestuário, obras de arte, jóias e outros objectos pessoais. O capital seguro deve reflectir o valor de substituição do conteúdo — recomenda-se fazer um inventário do recheio principal antes de contratar para garantir que o capital é adequado. Sub-segurar o recheio (declarar €15.000 quando o real é €30.000) resulta em indemnização proporcional em caso de sinistro total.
Para proprietários com crédito habitação: o banco exige obrigatoriamente o seguro de edifício com capital mínimo igual ao valor da garantia hipotecária (habitualmente o valor de avaliação do imóvel). O seguro de recheio é opcional mas fortemente recomendável. A maioria dos mutuários opta pela apólice combinada (edifício + recheio) que é mais barata do que contratar separadamente.
Para arrendatários: o proprietário é responsável pelo seguro de edifício; o arrendatário deve contratar seguro de recheio (para o seu conteúdo) e responsabilidade civil arrendatário (cobertura de danos causados ao imóvel do proprietário — uma fuga de água que danifica o apartamento do andar de baixo é responsabilidade do arrendatário). Esta cobertura é frequentemente ignorada mas tem sinistros de valor muito elevado. Em Lisboa e Porto, onde os arrendamentos são de imóveis de valor elevado, a cobertura de responsabilidade civil arrendatário é essencial.
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Tabela comparativa das principais seguradoras de multirriscos habitação em Portugal 2026
Os valores que se seguem são indicativos para um apartamento T3 em Lisboa, valor de construção de €150.000, recheio de €25.000, sem historial de sinistros, apólice combinada (edifício + recheio). Os prémios variam conforme a localização (risco sísmico, risco de inundação), valor do imóvel, coberturas seleccionadas e histórico de sinistros do segurado.
| Seguradora | Prémio anual (est.) | Inclui sismo? | Inclui roubo? | Ponto forte |
|---|---|---|---|---|
| Generali Tranquilidade | € 198/ano | ✅ Incluído | ✅ Incluído | Melhor relação cobertura/preço; parceira principal Cláudio Gomes |
| Fidelidade | € 214/ano | ✅ Incluído | ✅ Incluído | Rede de assistência ampla; forte em sinistros complexos |
| Allianz | € 228/ano | ✅ Incluído | ✅ Incluído | Planos premium com coberturas alargadas; boa assistência 24h |
| GNB Seguros | € 187/ano | ⚠️ Opcional (+€18) | ✅ Incluído | Prémio mais baixo do segmento independente |
| Zurich | € 241/ano | ✅ Incluído | ✅ Incluído | Coberturas alargadas; forte em responsabilidade civil |
| Seguradora do banco (média mercado) | € 360-520/ano | ⚠️ Varia | ⚠️ Varia | Sem vantagem técnica — apenas conveniência para o banco |
A diferença entre a média das seguradoras independentes (€187-241/ano) e a média das bancasseguradoras (€360-520/ano) para cobertura equivalente é de €120 a €330 por ano. Para um crédito de 30 anos, a poupança acumulada situa-se entre €3.600 e €9.900. Esta diferença não reflecte melhor serviço, maior cobertura ou mais solidez financeira — reflecte exclusivamente o custo do modelo de distribuição exclusiva do banco.
Nota importante sobre o capital seguro: ao comparar propostas, confirme que o capital seguro de edifício e recheio é equivalente entre seguradoras. Uma proposta mais barata com capital de €100.000 não é comparável a uma mais cara com capital de €150.000. A comparação correcta é sempre entre prémios para os mesmos capitais e as mesmas coberturas.
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Simulação numérica real — apartamento T3 Lisboa vs moradia V3 Setúbal: prémios e poupanças reais 2026
Vamos simular dois perfis representativos e distintos do mercado imobiliário português de 2026, para tornar a comparação concreta e accionável.
Perfil A — Apartamento T3 em Lisboa, Benfica
Neste perfil, a mudança para a seguradora independente poupa €209/ano e melhora a cobertura — a apólice do banco não incluía sismo, um risco muito real para Lisboa. Ao longo dos 25 anos restantes do crédito, a poupança acumulada é de €5.225 em valor nominal.
Perfil B — Moradia V3 em Setúbal, com jardim e piscina
Para moradias, onde o prémio base é mais elevado, a diferença entre banco e mercado independente é proporcionalmente maior em valor absoluto. A poupança de €372/ano durante 20 anos representa €7.440 em valor nominal — ou mais de €13.000 capitalizados a 3% ao ano. Neste perfil, a mudança é especialmente urgente porque a apólice do banco também não incluía cobertura de sismo, crítica para Setúbal, uma das zonas de maior risco sísmico de Portugal.
Um aspecto que a simulação não captura mas é igualmente relevante: o capital seguro do edifício. Muitos bancos definem o capital seguro do edifício como o valor de avaliação do imóvel (usado para calcular o LTV do crédito) — que é frequentemente o valor de mercado, não o custo de reconstrução. Para os dois imóveis acima, o valor de mercado seria €320.000 (apartamento) e €580.000 (moradia), resultando em prémios ainda mais elevados na bancasseguradora, sobre um capital excessivo face às necessidades reais. A recalibração do capital seguro para o custo de reconstrução correcto é em si uma fonte adicional de poupança.
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O seu direito legal de escolher a seguradora — Decreto-Lei nº 222/2009 e Aviso BdP nº 4/2017 aplicados ao multirriscos
O Decreto-Lei nº 222/2009 e o Aviso do Banco de Portugal nº 4/2017 garantem ao mutuário de crédito habitação o direito de contratar o seguro multirriscos habitação em qualquer seguradora autorizada pela ASF, independentemente da preferência do banco. Este direito aplica-se tanto à contratação inicial (no momento de contratar o crédito) como a qualquer momento posterior da vida do contrato. O banco não pode condicionar a aprovação do crédito, alterar o spread ou criar obstáculos à aceitação de uma apólice externa com cobertura equivalente.
Este é exactamente o mesmo quadro legal que protege o mutuário na escolha do seguro de vida — se ainda não reviu também o seguro de vida, o artigo sobre como encontrar um seguro de vida mais barato que o banco explica o processo de forma detalhada. Os dois direitos são independentes: pode mudar apenas o multirriscos, apenas o seguro de vida, ou ambos em simultâneo.
O que o banco pode exigir para aceitar a apólice externa: capital seguro mínimo equivalente ao exigido pela apólice actual (habitualmente o valor de avaliação do imóvel ou o capital do crédito); coberturas mínimas de incêndio, riscos complementares e responsabilidade civil; banco designado como primeiro beneficiário no caso de sinistro total; e seguradora autorizada pela ASF. O banco pode também definir uma lista de seguradoras pré-aprovadas — mas não pode rejeitar uma seguradora fora dessa lista se ela cumprir os critérios técnicos.
O que fazer se o banco recusar: solicite por escrito os critérios técnicos exactos que a sua apólice não cumpre. Se a recusa for infundada ou baseada em preferência pela seguradora parceira, apresente reclamação formal ao Banco de Portugal através do Portal do Cliente Bancário (clientebancario.bportugal.pt). As reclamações nesta matéria têm uma taxa de resolução favorável ao cliente muito elevada, precisamente porque a lei é clara e o Banco de Portugal supervisiona activamente o cumprimento do Aviso 4/2017. Esta é uma das áreas onde o regulador é mais proactivo na defesa do consumidor.
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Como funciona um sinistro na prática — incêndio, inundação, roubo: o que fazer, documentação e prazos legais
As primeiras 8 horas são críticas. Após qualquer sinistro coberto, contacte a seguradora no máximo em 8 horas (a maioria tem linhas de emergência 24h para sinistros). A comunicação tardia pode ser usada pela seguradora para contestar a validade do sinistro ou reduzir a indemnização. Antes de qualquer limpeza ou reparação de urgência, documente exaustivamente os danos com fotografias e vídeos — incluindo o contexto (a rua inundada, a janela partida, o ponto de entrada do ladrão). Em caso de furto ou vandalismo, participe às autoridades (PSP/GNR) e obtenha o número de queixa.
O processo de peritagem: após a participação, a seguradora nomeia um perito para avaliação dos danos. O perito visita o imóvel (prazo habitual: 5-10 dias úteis após participação), avalia os danos e emite relatório. Pode solicitar que um perito da sua confiança acompanhe a peritagem da seguradora — este direito é raramente exercido mas pode ser determinante em sinistros de valor elevado onde a diferença de avaliação entre peritos pode ser significativa. Em sinistros acima de €10.000, considere sempre a assistência de um perito independente.
Documentação a recolher antes da peritagem: plantas do imóvel (se disponíveis); facturas ou orçamentos de obras anteriores no imóvel; fotografias de estado anterior ao sinistro (fotografias de imóvel novo, de obras de renovação, ou de publicidade imobiliária são válidas); relação de objectos danificados ou furtados com estimativa de valor (para recheio); e, em caso de danos por água, relatório do técnico que identificou a origem (canalização, cobertura, etc.). A qualidade da documentação apresentada é directamente proporcional à rapidez e completude da indemnização recebida.
Prazos legais e o que fazer em caso de demora: a seguradora tem 30 dias úteis após recepção de documentação completa para decidir sobre o sinistro. Para sinistros de urgência (habitação inabitável), a seguradora deve providenciar alojamento alternativo (cobertura presente na maioria dos planos intermédios e superiores). Em caso de recusa ou indemnização manifestamente insuficiente, o segurado pode recorrer ao Provedor do Cliente da seguradora, ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo ou à ASF. A taxa de reversão de recusas através do Provedor do Cliente é significativa — muitos sinistros recusados numa primeira análise são pagos após recurso.
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Os 6 erros mais comuns ao contratar seguro multirriscos habitação — e como evitá-los
O erro mais comum e com maiores consequências financeiras. Um apartamento avaliado em €350.000 em Lisboa pode custar €160.000 a reconstruir — o terreno e o valor de localização não são reconstruídos, apenas o edifício. Segurar por €350.000 significa pagar prémio sobre €190.000 a mais durante décadas. Como evitar: solicite à seguradora o cálculo do custo de reconstrução com base na área e tipologia do imóvel, ou consulte as tabelas de custo de construção publicadas pelo LNEC. O capital correcto é o custo de reconstrução, não o valor de mercado.
Portugal tem um dos maiores riscos sísmicos da Europa — o sismo de 1755 destruiu Lisboa e o risco de grande sismo nunca desapareceu. A cobertura de sismo não é standard em todos os planos e é excluída em muitas apólices de bancasseguradoras de entrada. Para imóveis em Lisboa, Algarve, Setúbal, Beja e Évora — todas zonas de risco sísmico moderado a elevado — esta cobertura é essencial. Como evitar: confirme explicitamente se a sua apólice inclui sismo antes de assinar. Se não incluir, adicione-a — o custo marginal é de €15-40/ano.
Muitos proprietários têm apenas seguro de edifício (por ser o exigido pelo banco) e não contratam recheio. Em caso de incêndio ou inundação que destrua o conteúdo do imóvel, ficam sem indemnização para móveis, electrodomésticos e equipamentos — que podem valer €30.000-80.000 num apartamento típico português. Como evitar: faça um inventário do recheio principal (mobiliário, electrodomésticos, electrónica, vestuário, jóias) e some os valores de substituição. Use esse total como base para o capital de recheio a segurar.
O seguro multirriscos renova anualmente de forma automática — e o prémio pode subir 3-8% por ano sem que o segurado receba qualquer notificação de alerta explícita. Ao fim de 5 anos, um prémio inicial de €350/ano pode estar em €460/ano sem qualquer melhoria de cobertura. Como evitar: reveja a apólice anualmente na data de renovação e compare com o mercado a cada 3 anos. A renovação automática é conveniente para a seguradora — o segurado deve usar esse momento como oportunidade de renegociação.
Uma remodelação completa de cozinha e casas de banho (€20.000-45.000), instalação de painéis solares (€8.000-15.000) ou construção de piscina (€15.000-30.000) aumentam significativamente o custo de reconstrução do imóvel — mas o capital seguro permanece o original do contrato. Em caso de sinistro, a indemnização será calculada sobre o capital desactualizado, deixando o segurado com uma diferença substancial a pagar do bolso. Como evitar: após qualquer obra de valor superior a €5.000, actualize o capital seguro com a seguradora.
A maioria das apólices tem franquias — o valor mínimo do sinistro a partir do qual a seguradora paga (franquia absoluta) ou o valor que fica sempre a cargo do segurado independentemente do total do sinistro (franquia relativa). Danos inferiores à franquia não são indemnizados. Franquias comuns em Portugal: €150-250 para danos por água; €250-500 para roubo; €150-300 para danos eléctricos. Como evitar: leia a tabela de franquias da apólice antes de assinar e compare entre seguradoras — franquias mais baixas justificam prémio ligeiramente mais elevado para sinistros frequentes.
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Como negociar e comparar propostas — argumentos concretos, factores de desconto e quando mudar
Negociar o prémio de um seguro multirriscos habitação é mais simples do que parece — e significativamente mais eficaz do que a maioria dos consumidores espera. O mercado de seguros de habitação é competitivo e as seguradoras têm margem para ajustar prémios, especialmente para clientes com bom historial (sem sinistros nos últimos 3-5 anos) e que contratam múltiplos produtos. O primeiro passo é sempre recolher propostas de pelo menos 3 seguradoras antes de negociar com qualquer uma delas.
Factores que reduzem o prémio: ausência de sinistros nos últimos 3-5 anos (desconto de 5-15% em muitas seguradoras); instalação de dispositivos de segurança (alarme, câmeras, porta blindada — desconto de 5-10%); pagamento anual em vez de mensal (evita encargos de fraccionamento de 5-8%); contratação de múltiplos seguros na mesma seguradora (multirriscos + seguro de vida + seguro saúde — desconto de 5-15% por produto); e imóvel em edifício com porteiro ou condomínio gerido (menor risco de vandalismo e acesso não autorizado).
O argumento mais eficaz na negociação: apresentar uma proposta concreta de seguradora concorrente com cobertura equivalente a preço inferior. Este argumento obriga a seguradora a responder com uma contraproposta ou perder o cliente. Na maioria dos casos, a seguradora ajusta o prémio (redução de 5-15%) ou melhora as coberturas para fechar a renovação. Se a seguradora não responder, mude — a poupança é real e imediata.
Quando é o melhor momento para mudar: 60-90 dias antes da data de renovação da apólice (verifique a data exacta na apólice — habitualmente no verso da apólice ou no email de renovação anual). Algumas apólices exigem aviso prévio de 30 dias para cancelamento; outras permitem cancelamento a qualquer momento. Se o processo de obter o acordo do banco para aceitar a nova apólice demorar (como acontece frequentemente — ver secção 7 do artigo sobre seguro de vida mais barato que o banco), inicie o processo com 60-90 dias de antecedência para garantir que a mudança coincide com a renovação sem lacunas de cobertura.
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Caso real — Pedro Costa, Cascais: €298/ano poupados ao mudar para a Generali Tranquilidade
Pedro é engenheiro civil e proprietário de uma moradia V4 em Cascais com crédito habitação no BPI. Tinha o seguro multirriscos na BPI Seguros desde a contratação do crédito em 2012 — 13 anos sem questionar o prémio. Em 2025, ao rever as suas despesas anuais, reparou que o seguro multirriscos custava €648/ano e que nunca tinha comparado com o mercado. Contactou o Cláudio Gomes para análise.
A análise revelou dois problemas: o prémio estava 85% acima do mercado para coberturas equivalentes; e a apólice do BPI não incluía cobertura de sismo — um risco real para Cascais, situada na zona de maior risco sísmico de Portugal. Foram pedidas propostas à Generali Tranquilidade, Fidelidade e Allianz com as mesmas coberturas base acrescidas de sismo e responsabilidade civil alargada. A Generali apresentou a proposta mais competitiva a €350/ano, com sismo incluído e RC de €250.000 (vs €150.000 da apólice anterior).
O BPI foi contactado com a nova apólice e os critérios técnicos confirmados. Após 18 dias úteis, aceitou a substituição sem qualquer penalização ou alteração de spread. Pedro passou a ter melhor cobertura por menos €298/ano. Ao longo dos 22 anos restantes do crédito, a poupança acumulada estimada supera €6.550 em valor nominal. Adicionalmente, a cobertura de sismo — que a apólice do banco não incluía — ficou imediatamente activa para uma moradia numa zona de risco sísmico elevado.
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FAQ — As 8 perguntas mais comuns sobre seguro multirriscos habitação em Portugal
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Conclusão e Checklist Final — 10 pontos para ter o melhor seguro multirriscos ao melhor preço
O seguro multirriscos habitação é um dos custos anuais mais estáveis e previsíveis da vida de um proprietário — e precisamente por isso é também um dos mais negligenciados. Paga-se por débito directo, renova-se automaticamente e raramente é questionado. Mas como mostramos ao longo deste guia, a inércia tem um custo real: €120 a €330 por ano em excesso, durante décadas, sem qualquer benefício adicional em termos de cobertura.
A decisão correcta combina três elementos: o capital seguro adequado (custo de reconstrução, não valor de mercado), as coberturas correctas para a localização e tipologia do imóvel (sismo para Lisboa e Algarve, cheias para zonas ribeirinhas, roubo para imóveis com risco específico), e o prémio mais competitivo do mercado para esse conjunto de coberturas. Nenhum destes elementos deve ser sacrificado pelos outros — e a combinação óptima está disponível no mercado independente para praticamente qualquer perfil de imóvel português.
Se tem crédito habitação e nunca reviu o multirriscos, a leitura do nosso artigo sobre documentos para crédito habitação pode também ajudá-lo a perceber melhor a estrutura do seu contrato de crédito — nomeadamente as condições de seguros exigidas pelo banco. E se estiver a ponderar a taxa de juro do seu crédito ao mesmo tempo, o artigo sobre spread no crédito habitação apresenta as estratégias mais eficazes para negociar melhores condições.
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